terça-feira, 7 de outubro de 2008

Educação

Eu ao ler alguns post´s que andam ai na blogosfera sobre dar umas valentes palmadas nos miúdos, ou os nossos filhos dizerem asneiras, etc., chego a uma bela conclusão:

“É tão fácil educar os filhos dos outros, na sua própria casa, sentadas (os) com o cú do sofá e a única coisa que se sabe de crianças é o que lêem nas revistas ou nos livros”.

Eu até me passo!

Faz-me lembrar a orientadora de estágio de uma grande amiga minha que é educadora de infância. Ela estava na altura a estagiar num colégio do estado que só era frequentado por crianças de etnia cigana. O colégio mesmo localizado no meio do bairro.
A minha amiga dizia que algumas vezes tinha mesmo de chegar a ter de dar uns açoites. A orientadora dizia que isso não era possível, e dava-lhe lições de como ela tinha de fazer – mais ou menos como os comentários que tenho lido.
Até que o dia em que a orientadora tinha de visitar a escola e avaliar a aluna no seu local de trabalho. Devo dizer que a senhora chegou lá cheia de teorias, mas a partir do momento em que um dos miúdos desatou a porrada à senhora e outro que gritava com ela, até aquele que se pendurava nela. A mulher saiu de lá quase a chorar com as mãos na cabeça de desespero.

Claro que estes miúdos são problemáticos e tal, mas o que interessa aqui é que é tão fácil se opinar sobre o que não se conhece.

Portanto meus senhores e minhas senhoras. Toca a aumentar a natalidade, e ponham em prova essas teorias belíssimas, que com os vossos filhos resultaram com toda a certeza.
Nos nossos pelos vistos, está provado que não resultara e portanto iremos continuar a dar umas boas palmadas quando for preciso e mais que seja.

Porque se hoje em dia o que faz falta a muitos miúdos e adolescentes que ai andam e terem precisado de levar uma boas palmadas no tempo certo.

E tenho dito…

6 comentários:

Rita disse...

é que eu já nem faço comentários sobre este assunto... já me caiu meia blogosfera em cima....


"Não se educa com palmadas...."


Pois,pois

Tânia disse...

Mais do que a opinião sobre se se deve dar uns tabefes ou não, ou se dar tabasco ou pimenta é ou não um crime de lesa pátria, o que me tem chocado mais do que tudo são os juízos de valor que se têm feito.

Eu não partilho a opinião dos tabefes, até porque aqui em casa funciona bem o castigo de parar para pensar.
Não partilho, porque me lembro de tabefes injustos que levei, e atenção que não acho que a minha mãe me sovasse.
E isso não quer dizer que não tenha já dado umas palmadas no rabo da cachopa. Mas arrependo-me sempre. Não sou melhor nem pior que ninguém por isso, sou assim, ou melhor, tornei-me assim e pronto.

Enfim, mas nem quero estar a discutir qual é a fronteira entre tabefe e sova, porque acho que seria leviano da minha parte fazê-lo num blog de brincadeira, como o nosso.

Voltando ao que me choca, o que me choca mais do que tudo são as acusações que todos estes posts têm provocado. Estou particularmente chocada com as repercussões dos post do tabasco. Um post que é em parte caricatura, que é uma franja da realidade daquela família, foi transformado por alguns como uma confissão de crime capital.

É assustador como há pessoas que não se coibem de, por umas linhas que se escrevem, de forma humorística e naturalmente exacerbada, tecer considerações e juízos de valor. Nem estou sequer a falar da autoridade moral dessa gente para falar. Falo sobretudo da leviandade dessa malta. Porventura acharão que um blog retrata todo o nosso dia-a-dia? Como diz a própria SMS, o blog dela tem episódios que são mais engraçados, porque a normalidade é "normal", passe o pleonasmo.
Tudo isto para dizer que me choca imenso imenso quem, do alto de um pedestal imaginário que criou na sua mente, ousa tecer juizos de valor seríssimos, com base numa franja da realidade que lhe é dada a conhecer num blog. E quase equiparam uma piada a uma realidade dolorosíssima, que é a da violência infantil...
Ando absolutamente chocada.
O que a início me fez rir, aqueles comentários absurdos no post do tabasco, neste momento quase me faz chorar...
Há pessoas com uma necessidade urgente de rever prioridades...
E vou pensar se transformo este comentário em post ou não... Arre, que o blog das desnaturadas anda a ficar muito sério.

carla disse...

Eu já escrevi e comentei este assunto esta semana vezes em demasia, continuo a assumir que já dei palmadas e ainda hei-de dar mais palmadas, mas não é para educar, é pq n me controlo em situações, como p.e. quando o gajo me responde com mau tom e em algumas ( poucas) birras dela, mas não defendo a palmada e contiunuo a achar que n se educa à palmada, apesar de as já ter dado. Não dou palmadas por algumas asneiras que fazem, nem nunca acho que eles mereçam levar. Porque se nós nos zangamos com algum adulto tb não resolvemos a questão ao estalo! Prefiro castigar, cheguei a estar com o meu filho, ele com 2 anos, sentada no sofá e ele a espernear, mas ele tinha de estar lá sentado pq estava de castigo...s´o bato em situações extremas e no máximo dei 2 palmadas pq à segunda pensei: mas que raio estou eu a fazer??? Portanto não critico quem dá ou já deu palmadas e depois arrependeu-se...critico sim quem defende a teoria de educar á palmada e que acha mt bem em dar! E n entendo quem tanto critica quem n dá palmadas e posso dizer que dou poucas e nunca tive uma queixa do comportamento dos meus filhos.

Bjs

Sofia disse...

A julgar por todas estas teorias de merda, desculpem a linguagem, mas são teorias de merda, nós devemos ser todos uns adultos traumatizados e carentes e com muitos problemas de desenvolvimento porque nos fartámos de apanhar porrada.
Bolas, há séculos que as civilizações existem, os putos sempre apanharam e vêm agora com teorias de merda, sim, porque é muito fácil educar à distância, ainda ninguém se lembrou de ser e-pai, que deve ser a próxima moda. Uma palmadas para educar nunca me fizeram mal. Uma coisa é bater por tudo e por nada, outra coisa é bater quando é necessário. E não me venham com merdas da protecção infantil e blá blá blá, isso é tudo muito bonito e por essas teorias tão boas é que os adolescentes de hoje são como são. Não têm respeito por ninguém nem a ninguém, nem sequer à polícia nem aos professores nem aos pais.
E se me chateiam muito ainda desato aí à palmada a quem criticar qualquer mãe que dê umas palmadas nos filhos.
Pronto, já desabafei.
Bjocas

Maria disse...

Tal como já disse, de fora é sempre fácil falar.. mas cada criança é unica.

bjnho.

Quicas disse...

Como educadora de infância, e como mãe, defendo aquela "palmada no momento certo". Claro que como profissional nunca dei nem posso dar uma palmada, se bem que já houve muitas situações em que isso era o que era preciso fazer...mas isso é outro assunto.
Como mãe, já dei uma palmada no rabiote (na Flor) e quando é preciso dou-lhe nas mãos (não com muita força, que nestes casos é mais o gesto do que a força). E ela aprende e interioriza que o que fez/está a fazer é errado e (supostamente) não faz mais.
Muito tenho lido por cá, na blogsfera, sobre as palmadas...e o que me apercebo é que quem mais opina, das três uma: ou não tem filhos, ou dá palmadas e não admite porque fica mal, ou não dá palmadas e ainda apanha do filho (cúmulo, eu sei, mas já vi). Porque as poucas pessoas que admitem dar ou já ter dado palmadas são logo "olhadas" de lado, vistas como má mãe.

Meninas, acho que vou criar um selo para pôr no meu blog..." Sim, dou palmadas. Não me orgulho, mas às vezes tem de ser". lol

bjocas