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segunda-feira, 23 de março de 2009

Pior pior do que aquelas injecções de músicas infantis que, em doses maciças, são um convite à insanidade, são injecções dessas mesmas músicas cantadas por crianças ali entre os 9 e os 12 anos. Aí, admito, basta ouvir os primeiros segundos das músicas para começar a hiperventilar e apressar-me, o mais rápido que puder, a mudar de música. Já não basta a música, em regra, ser chatita e com uma letra um bocado tonta, ainda tenho de gramar com um puto em mudança de voz a cantar.
Quando é um coro de putos, a coisa passa, mas os solos são verdadeiros momentos de tortura. Ninguém, a não ser os pais das criancinhas, gosta de ouvir aqueles timbres esganiçados, prelúdio de uma adolescência anunciada.

Equivalente a ouvir músicas cantadas por pré-adolescentes é ouvir livros lidos pelos mesmos. Não, pior pior é ouvir livros lidos por miúdos que acabaram de aprender a ler. Lê-em-sí-la-ba-a-sí-la-ba-sem-se-per-ce-ber-na-da-do-que-di-zem-por-que-são-mo-no-cór-di-cos.

Isto tudo para dizer que quando os meus chegarem a essa fase de cantarem mal para caramba ou serem monocórdicos a ler, claro que vou ser espectadora atenta e entusiasmada, que remédio. O que eu não entendo é como é que em CDs ou sites de leituras de histórias, em que é dada, a quem organiza aquilo, a hipótese de escolher quem canta ou quem lê, a escolha recaia sobre estas pobres crianças...